O que a indústria leiteira da índia esconde: sujeira, sofrimento e perigo
Divulgamos os resultados de uma nova investigação na indústria leiteira realizada em 2025 nos estados indianos de Uttar Pradesh, Haryana e Maharashtra. Amruta Ubale, diretora executiva da Animal Equality Índia, afirma: “A investigação abrange 27 fazendas leiteiras e três mercados de gado. As evidências coletadas revelam violações generalizadas das leis de bem-estar animal e segurança alimentar do país”.
Bezerros apartados ao nascerem
Em todas as fazendas da indústria leiteira que visitamos, os bezerros eram amarrados longe de suas mães logo após o nascimento. Ouvíamos seus gritos ecoando pelos galpões — gritos agudos pelas mães que nunca mais iriam amamentá-los.
As mães mugiam angustiadas, puxando as cordas, procurando por seus filhotes. Uma das descobertas mais perturbadoras foi que os trabalhadores enchiam os corpos dos bezerros mortos com feno para enganar as mães e fazê-las continuar produzindo leite.
Negligência e sofrimento
Muitos animais foram encontrados doentes e feridos, mas não receberam cuidados médicos. A reprodução na indústria leiteira não é mais natural — a inseminação artificial é usada repetidamente, ano após ano, até que o corpo da mãe não consiga mais suportar o esforço.
Um tratamento de saúde silencioso
Sem supervisão veterinária, os proprietários das fazendas injetam medicamentos nos animais rotineiramente — não para tratar doenças, mas para forçar seus corpos a produzir leite. Amruta Ubale, diretora executiva da Animal Equality, afirma:
Separar um bezerro de sua mãe faz com que ela pare de produzir o leite. Os fazendeiros então injetam o hormônio ocitocina para forçar as contrações e liberar o leite, causando dor intensa ao animal
Para os animais na indústria leiteira, a oxitocina induz dores intensas semelhantes às do parto, danifica os órgãos reprodutivos e encurta suas vidas. E nos consumidores, pode levar à puberdade precoce em meninas, ginecomastia em meninos e problemas de visão ou audição em crianças.
Mulheres grávidas correm o risco de aborto espontâneo, defeitos congênitos, baixa imunidade infantil e sangramento pós-parto devido ao seu consumo.
Abuso deliberado
Além da negligência, os investigadores testemunharam abusos deliberados. Os trabalhadores batiam e forçavam os animais a entrar nos veículos, demonstrando total indiferença pela dor e pelo medo deles.
Imundície em cada gota
As vacas ficavam em uma camada de resíduos de suas próprias fezes e urina que chegava aos tornozelos. Baldes de leite ficavam destampados na mesma área infestada de moscas.
Nenhuma das fazendas da indústria leiteira tinha procedimentos adequados de limpeza ou higienização. Este é o mesmo leite que acaba em comidas típicas da Índia, chás, queijos e doces em todo o país.
Um chamado para mudança
A Animal Equality investiga fazendas leiteiras na Índia desde 2014. Em todas as ocasiões, encontramos o mesmo: animais negligenciados, violações generalizadas das leis de bem-estar animal e sérias ameaças à segurança alimentar.
É por isso que estamos pedindo ao governo da Índia que tome medidas: introduzir regras que reduzam o sofrimento de milhões de animais nas fazendas leiteiras. As autoridades devem fornecer treinamento e monitoramento sobre bem-estar animal e segurança alimentar.
“Recomendamos a criação de comitês nos níveis estadual e distrital para garantir com que essas medidas sejam cumpridas”, insiste Ubale.
O caminho a seguir
A indústria de laticínios prospera ao manter essa crueldade longe dos olhos do público. Mas por trás de cada copo de leite há uma vida de confinamento, separação e sofrimento.
Pelo bem dos animais e das pessoas, é hora de mudar.
A produção de laticínios na Índia, no Brasil e globalmente é baseada na exploração de mães e bebês. Ao escolher alternativas vegetais, podemos reduzir esse sofrimento e ajudar a criar um sistema alimentar mais gentil, seguro e sustentável.

DEFENDA A MATERNIDADE
O instinto maternal de uma vaca cria um laço imediato entre ela e seu bezerrinho. Preserve esta relação materna escolhendo opções à base de plantas ao invés de laticínios.

