Investigação revela maus-tratos em granjas ligadas à Aurora Coop e outras granjas de porcos
Pontos principais
-
1
Nova investigação documenta maus-tratos em seis granjas de porcos em Santa Catarina, incluindo duas ligadas à Aurora Coop
- 2 Animais são registrados recebendo chutes, choques elétricos e permanecendo feridos ou doentes sem tratamento veterinário
- 3 Cooperado da Aurora admite o uso de antibióticos proibidos pela própria cooperativa
Uma nova investigação da Animal Equality expõe evidências de maus-tratos contra porcos em granjas localizadas em Santa Catarina, estado que lidera a produção de carne suína no Brasil. A investigação também revela um áudio em que um cooperado da Aurora Coop admite utilizar antibióticos proibidos pela própria cooperativa. A divulgação ocorre em um momento em que a carne brasileira enfrenta restrições da União Europeia relacionadas ao uso de antibióticos.
Maus-tratos
As imagens registradas pela organização mostram animais recebendo chutes, aplicação de choques elétricos, animais feridos e doentes sem assistência veterinária, mutilações sem medicamentos para controle da dor e porcas mantidas em gaiolas de confinamento.
A investigação foi realizada em seis granjas: duas ligadas à Aurora Coop, terceira maior produtora de carne suína do Brasil, uma vinculada à Coperaguas e outras três pertencentes a produtores independentes, sendo um deles ligado à Cooperativa Agroindustrial dos Suinocultores Catarinenses.
Segundo a Animal Equality, as evidências coletadas em diferentes tipos de granjas indicam que as práticas documentadas não se restringem a um caso isolado. Em 2020, a entidade já havia realizado o mesmo tipo de investigação em granjas e frigoríficos de porcos no estado de Minas Gerais.
“Documentamos as mesmas práticas em granjas de diferentes portes e vinculadas a diferentes empresas. Isso evidencia que o sofrimento dos animais não é consequência de falhas pontuais, mas de um modelo de produção que sistematicamente compromete seu bem-estar. Os animais não podem continuar pagando o preço de um sistema que coloca a produtividade acima de qualquer consideração ética”, afirma Dulce Ramirez, vice-presidente para a América Latina da Animal Equality.
Embora o Brasil possua a Instrução Normativa nº 113/2020 sobre bem-estar de suínos, suas diretrizes têm caráter recomendativo, ou seja, não existe a obrigatoriedade dos produtores seguirem as boas práticas de bem-estar. No entanto, os porcos são protegidos pelo artigo 225 da Constituição Federal, que proíbe práticas cruéis contra animais, e pelo artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que pune atos de maus-tratos contra animais.

Com base nas evidências coletadas, a Animal Equality ingressou com uma ação judicial para que as empresas e os responsáveis pelas granjas investigadas sejam responsabilizados na forma da lei pelos maus-tratos documentados.
