Relatório: Determinação do Sexo no Ovo – Uma Alternativa ao Abate de Pintinhos Machos de Um Dia


A matança de pintinhos machos de um dia é uma das questões mais controversas da indústria de produção animal. A vida dos pintinhos é “produzida”; se não for economicamente viável, eles devem ser mortos aos bilhões no mesmo dia em que saem do ovo. Este relatório tem como objetivo fornecer informações sobre uma possível alternativa à prática padrão de abate dos pintinhos – a determinação do sexo no ovo e mostrar as diferentes tecnologias que procuram dar um fim a essa matança cruel antes da eclosão. Este trabalho deve sempre ser visto no contexto da data de sua publicação, pois a pesquisa está em constante progresso e informações podem ficar desatualizadas rapidamente. 

Autora: Dörte Röhl (Especialista em Bem-Estar Animal, Veterinária)

Última edição: 30/08/2019

1. Preocupações com o Bem-Estar Animal 2

1.1. Métodos de Abate 4

1.2. O Escopo do Problema 5

2. Incubação e Eclosão (Do Ovo à Fazenda) 5

2.1. Pais 5

2.2. Unidade de Reprodução: Incubação – Eclosão – Determinação do Sexo 6

3. Determinação do Sexo no Ovo 7

3.1. Introdução: Determinação do Sexo no Ovo 7

3.2. Tecnologia 7

3.2.1. CRISPR – Processo de Edição de Genoma (Métodos de Biologia Molecular) 8

3.2.1.1. EggXYt 8

3.2.1.2. CSIRO 9

3.2.2. Espectroscopia 10

3.2.2.1. Espectroscopia no Infravermelho Próximo (NIR) 10

3.2.2.2. “Hypereye” 11

3.2.2.3. Agri Advanced Technologies (AAT) e Innovatec Hatchery Automation (Espectroscopia Óptica) 12

3.2.2.4. In Ovo 13

3.2.2.5. “TeraEgg” 14

3.2.3. “LIVEggTM” 15

3.2.4. Seleggt (Endocrinologia) 15

3.2.5. “Orbem Genus” (Terapia de Ressonância Magnética) 18

3.2.6. Comparação entre Tecnologias 19

4. Políticas Atuais das Empresas 19

5. Sumário/Conclusão 21

6. Apêndice: Relatórios de Interesse na Mídia 24

Referências Bibliográficas 25

  1. Preocupações com o Bem-Estar Animal

Uma galinha poedeira pode botar aproximadamente 300 ovos por ano. Esse tipo de alto “desempenho” impõe um sofrimento quase inimaginável aos animais. Os resultados dessa reprodução extrema incluem dolorosas inflamações em seus sistemas reprodutores, ossos quebrados (frequentemente, os ossos do peito) e comportamentos como bicar penas de outras aves e o canibalismo.

A extrema especialização das galinhas poedeiras tornou a criação e engorda de pintinhos machos algo economicamente inviável. Naturalmente, galos não botam ovos. Não “vale a pena” criá-los, pois eles crescem menos rapidamente e rendem menos que os frangos de corte criados para a produção de carne. Eles simplesmente não têm valor nenhum para a indústria e são mortos no dia em que saem dos ovos – sufocados por gás ou dilacerados em trituradores. Isso afeta todos os métodos de criação – até mesmo os “irmãos” das galinhas poedeiras orgânicas.

“Em 50 anos, não houve nenhum uso para pintinhos machos na criação de galinhas poedeiras”. Essa prática brutal impõe uma séria questão ética ,,. A matança de animais jovens e saudáveis motivada pelo lucro deve ser rigorosamente condenada. O abate de bilhões de pintinhos em todo o mundo precisa ter fim. Do ponto de vista veterinário, interesses financeiros não podem justificar o abate em massa de animais. 

Exemplo da Alemanha:

O abate de aves macho não é compatível com as leis de bem-estar animal da Alemanha, na visão de juristas e defensores dos direitos dos animais. Entretanto, essa prática cruel tem sido uma horrível rotina há décadas, sendo assim tolerada na prática como direito comum. Em círculos especializados, assim como na esfera pública, a matança de pintinhos tem sido cada vez mais criticada como uma violação flagrante dos regulamentos de bem-estar animal. Em 2016, a Suprema Corte Administrativa de Munique formulou um “Conflito entre a Indústria Funcional de Alimentos e a Ética”, decidindo, entretanto, que as unidades de reprodução poderiam continuar a matar pintinhos imediatamente após a eclosão. O motivo? Deixar os pintinhos machos viverem e criá-los até serem abatidos foi considerada uma despesa desproporcionalmente alta para as unidades de reprodução. Dessa forma, milhões de pintinhos continuam a ser mortos na Alemanha. Alternativas são, assim, mais do que necessárias. Atualmente, entre 70 e 89 por cento dos consumidores alemães têm consciência da existência dessa prática, o que pode ser atribuído à sua crescente divulgação na mídia nos últimos anos.


Em uma pesquisa representativa, 81 por cento dos respondentes se disseram favoráveis à proibição legal da matança de pintinhos e 75 por cento dos consumidores estariam dispostos a pagar mais pelos ovos se a matança de pintinhos fosse abandonada. 


  1. Métodos de Abate

A maior parte dos pintinhos de um dia é morta por ação mecânica ou pela inalação de substâncias químicas


Os métodos mais comumente utilizados são o sufocamento por CO2 e o dilaceramento em um triturador. Na matança por dilaceramento (“dilaceramento de pintinhos”), os animais são dilacerados ainda vivos. Na Europa, a maior parte dos pintinhos de um dia é morta por esses métodos; em muitas outras regiões do mundo, dilacerar os machos é uma prática cotidiana. Em outras partes do mundo, o dilaceramento de pintinhos não é permitido., Pesquisas encobertas na Índia mostraram que pintinhos de um dia são impiedosamente incinerados, esmagados, afogados ou dilacerados.

A Suíça supostamente está banindo o dilaceramento. O Conselho Federal da Suíça aprovou o pedido do Comitê de Ciência, Educação e Cultura (KBK0 do Conselho Nacional de Ciências para banir o abate até fevereiro de 2019. Atualmente, cerca de 90 por cento dos 3 milhões de pintinhos machos são sufocados por gás, enquanto que os 10 por cento restantes são dilacerados. Nos EUA, alguns animais são mortos por eletrocussão.,,,

Um estudo recente afirmou que foram observados nos animais sinais de comportamento que demonstram sofrimento em todos os cinco diferentes protocolos de sufocamento por CO2 testados.

  1. O Escopo do Problema

Todos os anos, vários bilhões de pintinhos machos são mortos em todo o mundo. As estimativas variam entre 2,5 bilhões,, ou 3 bilhões a 3,2 bilhões,,,, 4–6 bilhões,,, e até mesmo 7 bilhões,

O abate de pintinhos machos afeta 330 milhões de animais na União Europeia a cada ano,, 370 milhões na Europa e cerca de 45 milhões,,, a 50 milhões,, de machos são afetados na Alemanha a cada ano. Algumas fontes relatam até mesmo 40 milhões.,, Isso representa mais de 100.000 pintinhos machos em um dia – somente na Alemanha,,

Nos EUA, cerca de 300 milhões de pintinhos machos são mortos todos os anos na indústria de ovos. Esse número corresponde a cerca de 30.000 pintinhos recém-saídos dos ovos por hora.

O relatório “Legal Aspects of the Prohibition on Chick Shredding in the German State of North Rhine-Westphalia” (Aspectos Legais da Proibição da Dilaceração de Pintinhos no Estado Alemão da Renânia do Norte-Vestfália), da advogada Amelie C. Buhl chega à conclusão que “objetivamente, a prática de matar pintinhos machos nas unidades de reprodução somente pode ser descrita como horrível”. 

  1. Incubação e Eclosão (Do Ovo à Fazenda)
    1. Pais

Os pais atendem somente um único propósito: botar ovos para fornecer à fazenda sucessoras fêmeas que garantam a produção de ovos.

Na criação de animais para reprodução, o objetivo é constantemente melhorar suas “características de desempenho”. O foco está em uma grande quantidade de ovos férteis e “taxa de eclosão promissora”. A meta é criar o maior número possível de galinhas para a produção de ovos para consumo.

Além disso, as condições de bem-estar para essas aves de reprodução são ainda menos satisfatórias do que na indústria de produção animal como um todo. De acordo com uma investigação da revista Der Spiegel, elas estão sujeitas a regulações menos rigorosas do que os frangos de corte e galinhas poedeiras; não há absolutamente nenhuma regulamentação. O público não sabe que um “frango assado” ou um “ovo cozido” não requer apenas uma ave, mas uma quantidade incontável de pais e avós utilizados como máquinas de produção. O próprio acesso aos animais para estudos acadêmicos não é fácil. Eles vivem e morrem de maneira ainda mais invisível que as outras aves.

  1. Unidade de Reprodução: Incubação – Eclosão – Determinação do Sexo

Os ovos botados pelas aves são armazenados em caixas plásticas e transportados a grandes unidades de reprodução, onde a temperatura e umidade dos ovos são controladas. No 21º dia, milhares de pintinhos saem dos ovos ao mesmo tempo. Assim que a maior parte dos pintinhos saíram de seus ovos, ocorre a identificação do sexo – em inglês, sexing – dos pintinhos recém-nascidos. Funcionários jogam os pintinhos de um dia em uma esteira e os separam em fêmeas ou machos: a indústria utiliza dois métodos diferentes: o método de determinação de sexo pela cavidade anal, na qual o pintinho é apertado de forma a expulsar suas fezes, o que abre ligeiramente sua cavidade anal (a cloaca) e permite que ver se nela ele tem uma pequena “protuberância”, que indicaria um pintinho macho, e o método de determinação do sexo pelas penas. Os funcionários jogam as fêmeas em novas caixas plásticas. Os pintinhos machos são enviados diretamente à morte após saírem do ovo: eles são deixados na esteira, sendo jogados fora como lixo inútil ou “reciclados” como ração de pets.

O fato de os pintinhos normalmente serem deixados sem cuidados por 24-72 horas nas unidades de reprodução clássicas deve ser visto de maneira muito crítica. Eles precisam se empoleirar no escuro, sem água ou comida, tendo uma alta taxa de mortalidade devido a um estresse desnecessário, como a desidratação. Isso resulta que “pintinhos recém-nascidos […] perdem até 10 por cento do peso que tinham quando saíram do ovo, além de sua vitalidade e robustez”. Em todo o mundo, aparentemente há apenas uma unidade de reprodução de galinhas poedeiras que utiliza um conceito de “alimentação imediata”, pelo qual água, comida e luz são colocadas à disposição dos pintinhos recém-nascidos. Este conceito deveria ser a regra, sendo utilizado já há algum tempo em unidades de reprodução para frangos de carne, ou corte.

Estudos acadêmicos mostram que “o tempo nas unidades de reprodução […] é muito estressante para os pintinhos […], pois eles são expostos a alterações de temperatura, sons, movimento, umidade, manejo e vibrações”. Não é incomum nas unidades de reprodução que o manejo e o rápido transporte dos pintinhos resulte em machucados, ansiedade e perda de orientação desses jovens animais (como os decorrentes de quedas entre diferentes esteiras). O transporte das unidades de reprodução às fazendas coloca pressão adicional nos pintinhos, além da ansiedade e estresse: os pesquisadores acadêmicos ficam especialmente preocupados com as variações de umidade e, especialmente, as mudanças extremas de temperatura, pois os pintinhos “têm pouco controle sobre suas próprias temperaturas corporais nessa fase da vida”. Além disso, quanto mais longo for o transporte dos pintinhos, mais peso eles perdem e mais estresse eles sofrem.

Outros estressores vão se acumulando. O conceito de “aditividade de estressores” diz que o estresse experienciado durante a incubação pode tornar mais graves os estressores ao longo de toda a vida das aves e possivelmente reduzir sua capacidade de enfrentá-los.

  1. Determinação do Sexo no Ovo

O processo padrão de matança é há muito tempo inaceitável para os especialistas em bem-estar animal, o público e os defensores da proteção aos animais, tendo sido objeto de pesquisas há décadas . Com a conscientização e desaprovação públicas cada vez maiores, tem sido intensificada a busca por alternativas. Em todo o mundo, há diversos métodos que tornariam supérflua a matança de pintinhos machos. Esse relatório destaca a determinação do sexo no ovo.

  1. Introdução: Determinação do Sexo no Ovo

O objetivo da determinação do sexo no ovo é, em primeiro lugar, evitar que os pintinhos machos cheguem à eclosão: o sexo do embrião é identificado muito antes da eclosão (no ovo, daí o termo “determinação do sexo no ovo”). Os ovos machos são removidos da incubação logo no início, assim somente pintinhos fêmeas saem dos ovos após 21 dias de incubação. Diversos desses métodos foram desenvolvidos nos Países Baixos, Alemanha, Israel e Canadá.

Entretanto, as abordagens atuais não são adequadas ao uso prático nem estão comercialmente disponíveis, com exceção do método utilizado pela empresa alemã Seleggt GmbH, que trouxe os primeiros ovos de galinhas com sexo determinado no ovo ao comércio alemão em novembro de 2018,. O objetivo final da pesquisa é obter um processo que estabeleça o sexo dos ovos antes da incubação, que assim ainda seriam úteis para a indústria.,

  1. Tecnologia

Diversos métodos e abordagens estão sendo desenvolvidos ou testados em todo o mundo, mas a maior parte deles ainda levará alguns anos para estar disponível comercialmente. As primeiras previsões sobre uma comercialização ampla há muito já tiveram seus prazos esgotados., Algumas dessas tecnologias são processos biológicos, análises hormonais (endocrinologia) e processos ópticos (espectroscopia). Esse relatório, que não se pretende exaustivo, apresenta algumas dessas tecnologias. Apesar de cuidadosa pesquisa, não é possível garantir totalmente a exatidão do conteúdo aqui apresentado. 

QUADRO INFORMATIVO:


! Exemplo: Alemanha

Os dois processos de determinação de sexo visto como mais promissores na Alemanha são as abordagens endocrinológicas e espectroscópicas promovidas pelo Ministério Federal de Nutrição e Agricultura (Bundesministerium für Ernährung und Landwirtschaft, BMEL). Para finalmente colocar um fim na prática de matar pintinhos, o BMEL declarou seu apoio a esse desenvolvimento no valor de aproximadamente 5 milhões de euros.

O processo endocrinológico envolve a incubação dos ovos por aproximadamente 9 dias. Uma pequena quantidade de líquido é então extraída de cada ovo, sem contato com a parte interior do ovo. Um processo biotecnológico é utilizado para a determinação do sexo com base nessas amostras.

O processo espectroscópico envolve a incubação dos ovos por cerca de 4 dias. Uma luz especial é então dirigida ao interior do ovo. A luz refletida é então analisada para a determinação do sexo.

A escola de medicina veterinária da Universidade de Leipzig reuniu zoologistas, físicos, químicos e engenheiros da Universidade de Jena, Universidade Técnica de Dresden, Frauenhofer Institute, Arxes Information Design Berlin GmbH e Lohmann Tierzucht GmbH Cuxhaven para pesquisar um método que determine o sexo dos embriões dos pintinhos ainda dentro do ovo.


  1. CRISPR – Processo de Edição de Genoma (Métodos de Biologia Molecular)
    1. EggXYt

A EggXyt foi fundada em 2016 por Yehuda Elram e o Professor Daniel Offen, chefe do departamento de neurociência da escola de medicina da Universidade de Tel Aviv, em Israel. 

A técnica da EggXYt utiliza a tecnologia CRISPR, um método de biologia molecular, para localizar, cortar e manipular DNA. Isso permite que genes individuais – mais precisamente, blocos fundamentais de DNA – sejam “editados” (daí o termo “edição de genoma”). O CRISPR é o método mais simples e confiável de edição de genoma. 

Esse processo pode ser utilizado para editar os genes da galinha mãe. Determinados pontos do DNA recebem proteínas fluorescentes (biomarcadores) de forma que possam ser vistos por um scanner óptico chamado SeXYt. , O resultado? Os ovos machos indesejados brilham sob uma luz UV. Como a capacidade de botar ovos machos fluorescentes é passada de geração a geração, nem toda galinha mãe precisará passar pela edição de genoma. As galinhas poedeiras nascidas dos ovos fêmeas não são afetadas geneticamente.

Benefícios:

A determinação do sexo é possível no dia que o ovo sai da galinha. Isso significa que os ovos não incubados podem ser utilizados de imediato. Como os ovos não são perfurados ou incubados, podem ser utilizados para o consumo humano. A empresa EggXYt fala em evitar a perda de 7 bilhões de pintinhos, que chegariam ao mercado na forma de ovos para o consumo humano., Esse método tem exatidão de 100%. 

Considerações:

O maior problema com este método é que a modificação genética é uma questão muito controversa. Se o processo de edição de genoma da EggXYt for julgado uma modificação genética dos animais, pode ser necessário obter permissões especiais para a venda dos ovos – dependendo do país em questão. O mercado europeu pode ser bastante cético a esse respeito. Aprovações podem levar anos ou serem totalmente negadas. Este deve ser um método minimamente invasivo.

Um projeto piloto está planejado para o final de 2019, mas pode-se presumir que outros métodos estarão prontos para o mercado consideravelmente antes disso.

  1. CSIRO

Cientistas australianos também estão fazendo pesquisas baseadas na tecnologia CRISPR. A CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) também quer criar um ovo especial que brilha, editando o genoma da galinha. Esse ovo deverá brilhar na cor vermelha sob luz UV., 

Benefícios:

Essa tecnologia deverá tornar possível a determinação do sexo no dia da postura. Isso significa que os ovos não incubados – assim como os ovos da EggXYt – poderão ser utilizados de imediato para o consumo humano.

Esse método tem exatidão de 100 por cento. 

Considerações:

Atualmente não é possível prever quando a aplicação comercial será possível. Os principais problemas com esses métodos de biologia molecular são os obstáculos legais decorrentes do uso da tecnologia genética – assim como no caso da EggXYt. Este teria de ser um método minimamente invasivo.

QUADRO INFORMATIVO:


! Por que os embriões machos brilham: 

Diferentemente dos mamíferos, aves machos (galos) têm dois cromossomos do mesmo gênero (ZZ), enquanto aves fêmeas (galinhas) têm dois diferentes (ZW). 

Se as galinhas receberem um gene para uma proteína fluorescente (FP) no cromossomo Z, o cromossomo marcado ZFP somente existirá nos embriões machos. Como resultado, somente os ovos machos irão brilhar, podendo ser identificados visualmente quando uma fonte de luz adequada for utilizada. Esses ovos não serão incubados e poderão ser enviados a outros usos. Mas eles serão considerados “geneticamente modificados”. 

Os embriões fêmeas, com cromossomos Z e W inalterados, serão incubados e nascerão como galinhas poedeiras não geneticamente modificadas, que botarão ovos não geneticamente modificados.


  1. Espectroscopia
    1. Espectroscopia no Infravermelho Próximo (NIR)

O uso da espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) para a determinação do sexo foi sugerida em primeiro lugar pelo grupo de pesquisa liderado por Roberta Galli e Gerald Steiner da Universidade Técnica de Dresden, em conjunto com a Universidade de Jena e a Universidade de Leipzig., A Professora Maria-Elisabeth Krautwald-Junghanns, Diretora da Clínica para Pássaros e Répteis, coordenou a equipe de pesquisadores. 

Esse projeto recebeu subsídios do Ministério Federal de Nutrição e Agricultura (Bundesministerium für Ernährung und Landwirtschaft, BMEL).,, Os métodos de medição remontam ao físico hindu Chandrasekhara Venkata Raman (1888 – 1970). O ponto de partida para a diferenciação entre embriões fêmeas e machos é a diferença entre as dimensões dos cromossomos de gênero. Esses cromossomos podem ser identificados após aproximadamente de 84 horas (3,5 dias ) a partir da fertilização do ovo nas células sanguíneas do embrião. Isso significa que esse método requer a incubação do ovo por cerca de 3-4 dias, e que os vasos sanguíneos do embrião sejam expostos a um laser de infravermelho próximo dirigido ao lado redondo do ovo através de sua casca intacta. 

A luz é refletida pelas moléculas presentes no ovo, especialmente pelos cromossomos responsáveis pelo sexo. A luz refletida é medida por um espectrômetro. O formato do espectro pode ser utilizado para estabelecer as dimensões dos cromossomos e, portanto, o sexo do ovo. O cromossomo feminino é significativamente menor que o masculino. O sangue nos embriões machos é reconhecido por uma faixa fluorescente especial, localizada ao redor de 910 nanômetros.,

Cálculos iniciais mostram aumentos de preço de 1 a 2 centavos por ovo. Os dados colocam a exatidão desse processo entre 93, e 95 por cento.

Benefícios:

Como os cientistas assumem que os embriões das galinhas não desenvolveram a sensação de dor até o 7º dia de incubação, o tempo de análise mais rápido, de cerca de 84 horas (3,5 dias de incubação), é bem-vindo. Esse é um processo não invasivo, que não danifica o embrião da galinha. 

Considerações:

Como não há dois ovos iguais, o maior desafio reside no domínio da variabilidade óptica das cascas dos ovos., Para aplicações industriais rotineiras de grande escala, a velocidade do processo precisa ser aumentada significativamente. Não se sabe no momento quando essa tecnologia estará disponível comercialmente.

  1. “Hypereye”

A tecnologia “Hypereye” foi desenvolvida pelo Dr. Michael Ngadi da Universidade McGill University de Montreal, Canadá. Esse projeto recebe apoio financeiro da Egg Farmers of Ontario (EFO), em cooperação com a Livestock Research Innovation Corporation e o Ontario Poultry Industry Council.

“Hypereye” é uma tecnologia patenteada de escaneamento que utiliza imagens hiperespectrais não invasivas (não destrutivas) para determinar se um ovo foi fertilizado e se o pintinho é macho ou fêmea.

Esta tecnologia é baseada na aplicação de imageamento hiperespectral combinado com protocolos progressivos de processamento de dados. O protótipo pode escanear um ovo em menos de 1 segundo. Em capacidade plena, um sistema de escaneamento deverá ser capaz de analisar algo entre 30.000 e 50.000 ovos por hora. Protótipos estão sendo testados em unidades de reprodução em Ontário com o objetivo de se atingir em uso comercial a mesma exatidão e velocidade obtidas em laboratório. Os EUA, Países Baixos e Suécia já demonstraram interesse nessa tecnologia.

Benefícios:

“Hypereye” é uma tecnologia não invasiva que não utiliza a modificação genética. Nem as galinhas, nem os ovos precisam ser modificados geneticamente. A análise pode ser feita no dia da postura. Os embriões fêmeas são então incubados e os ovos machos são enviados à produção de alimentos. Essa tecnologia facilita a determinação do sexo e mostra se os ovos foram fertilizados ou não. 

Considerações: 

Estima-se um custo adicional de 5 centavos (de dólar) por ovo.

Este método tem exatidão de apenas 95-99%. (A exatidão para determinar se um ovo foi fertilizado é de quase 100 por cento, mas mais baixa para a determinação do sexo.) 

A expectativa original era que esta tecnologia estaria disponível a partir de 2017/2018.,, Essa expectativa foi corrigida para entre 2019 e 2020. 

  1. Agri Advanced Technologies (AAT) e Innovatec Hatchery Automation (Espectroscopia Óptica)

A Agri Advanced Technologies (AAT), uma subsidiária do EW Group, desenvolveu um protótipo totalmente automatizado para determinar o sexo no 4º dia de incubação, em conjunto com a Innovatec Hatchery Automation, uma empresa baseada nos Países Baixos. Essa é uma abordagem baseada na espectroscopia. A tecnologia utiliza um processo de medição óptica para reconhecer a diferença entre ovos machos e fêmeas pela luz refletida. Em primeiro lugar, ela reconhece a câmera de ar do ovo, utiliza um laser de CO2 para perfurar a casca do ovo e então remove uma parte da casca do ovo. A perfuração e remoção da casca do ovo ocorre sem contato com a membrana. Após o sexo do embrião ter sido identificado, o ovo é fechado e somente os embriões fêmeas são devolvidos à incubadora.

Benefícios:

O benefício deste sistema, conforme a empresa, é sua sustentabilidade – o uso de luz em vez de produtos químicos – e o fato de não haver custos adicionais de materiais consumíveis. Em 2017, a AAT trabalhou em requisitos adicionais para a aplicação prática. Entre estes estão o menor impacto possível na taxa de eclosão e uma capacidade de detecção de até 100.000 ovos por dia. A abertura do ovo no lado redondo (local da bolha de ar) permite que a membrana permaneça intacta; dessa forma, a taxa de eclosão é “apenas minimamente” impactada. Os ovos também não precisam ser posicionados para a determinação do sexo, pois geralmente eles são colocados na incubadora com o lado pontudo virado para a baixo.

Considerações:

As medições do sistema oferecem exatidão de apenas 98 por cento. 

Devido a “problemas e desafios” imprevistos, a empresa anunciou que testes de estresse amplos deverão ser realizados, não sendo assim possível definir uma data para o lançamento no mercado.

  1. In Ovo

Outra tecnologia que trabalha com biomarcadores e espectroscopia foi desenvolvida pela empresa holandesa In Ovo, fundada em 2013, em conjunto com seus investidores Evonik , VisVires New Protein e a Universidade de Leiden. Esse projeto foi iniciado em 2011 pelo biólogo Wouter Bruins e o especialista em biomedicina Will Stutterheim, sendo outro procedimento minimamente invasivo. 

No 9º dia de incubação, um pequeno furo é feito na casca do ovo, que pode ser fechado posteriormente. Uma amostra é tirada do ovo com o uso de uma agulha e então examinada por espectrografia para a verificação da presença e concentração de biomarcadores naturais. Esse teste minimamente invasivo leva cerca de 1 segundo e determina se o ovo está fertilizado e o seu sexo. Assim que entrar em comercialização plena, essa velocidade deve ser aumentada, de forma que o teste de cada ovo leve apenas alguns microssegundos.

Um protótipo está atualmente em desenvolvimento, para lançamento neste ano (2019). O protótipo deve ser capaz de analisar e classificar os ovos por sexo de forma totalmente automática. O primeiro produto comercial deve chegar ao mercado em 2020., A In Ovo decidiu não publicar nenhum resultado intermediário até o protótipo estar em operação. 

Benefícios:

Esta tecnologia não envolve modificação genética, não alterando nem a galinha, nem o ovo. O teste determina o sexo e mostra se o ovo foi fertilizado. O aumento de preço deve ser razoável, mas a empresa ainda não publicou especificações precisas.

Considerações:

A tecnologia tem exatidão de apenas 95 por cento. O método “no ovo” pode ser realizado a partir do 9º dia de incubação, embora os cientistas atualmente concordem que não é possível ter certeza de que o embrião da galinha não sinta dor a partir do 7º dia. Este é um método minimamente invasivo.

  1. “TeraEgg”

A tecnologia “TeraEgg” foi desenvolvida pela Ovabrite, uma empresa baseada no Texas e subsidiária da Vital Farms, em colaboração com a Novatrans, uma empresa israelense de tecnologia. Seu fundador e CEO é Matt O’Hayer.

A “TeraEgg” utiliza radiação na faixa de Terahertz para analisar componentes orgânicos voláteis específicos que escapam pelos poros do ovo. Frequências em Terahertz são parte do espectro eletromagnético localizadas entre micro-ondas e o infravermelho. Utilizando um algoritmo especial, marcadores biológicos são reconhecidos logo nos primeiros estágios do processo de desenvolvimento embrionário.

Benefícios:

O método “TeraEgg” é não invasivo e pode identificar o sexo e a fertilização no dia da postura, antes da incubação.,, Ondas na frequência de Terahertz não são consideradas prejudiciais.

Considerações:

Não há informações sobre o status de comercialização Estimativas iniciais previam o lançamento no mercado em 2017.,,,

  1. “LIVEggTM”

A “LIVEggTM , é uma empresa de biotecnologia fundada em 2015, dirigida por seu CEO Alon Blum, o fundador Yair Adar e o presidente Ido Ifat. A “LIVEggTM” é uma subsidiária do Baram Group, uma das principais empresas de reprodução e criação de Israel. A missão dessa jovem empresa é evitar o abate de pintinhos machos de um dia pelo uso de tecnologia não invasiva.

A “LIVEggTM” oferece produtos para a análise e monitoramento do embrião da galinha no ovo: o “CrystalEgg™” e o “ChickMale SaverTM”.

O método “CrystalEgg™” desenvolvido pela “LIVEggTM” é o primeiro sistema no mundo para o monitoramento de embriões de galinha. Esse método pode fornecer informações precisas sobre o tempo de eclosão esperado, condição do desenvolvimento, mortalidade, fertilidade e outros parâmetros dos ovos na incubadora a partir do 7º dia de incubação. Isso significa que ele oferece mais recursos que outros sistemas de monitoramento, que somente podem medir influências ambientais dentro da incubadora. Com esse objetivo, “EggTrays” inteligentes são colocadas dentro das incubadoras. Os sinais fisiológicos do embrião e as condições ambientais são transferidas, analisadas e apresentadas pelo app “CrystalEgg™”.

O sistema “CrystalEgg™” já teria melhorado as taxas de eclosão em unidades de reprodução de alta eficiência em 3-4 por cento na África, Europa e Israel.

Usando o “ChickMale SaverTM”, com lançamento previsto para 2020, um procedimento não invasivo pode determinar o sexo do embrião. Os dados coletados em milhares de unidades de reprodução por um sistema de informação de Big Data poderiam ser colocados instantaneamente à disposição., 

Benefícios:

Este é um procedimento não invasivo. O método pode determinar o sexo dos embriões a partir do 7º dia de incubação.

Considerações:

A taxa de exatidão ainda não foi determinada.

  1. Seleggt (Endocrinologia)

A Seleggt GmbH foi fundada em março de 2017 como joint-venture do Rewe Group, um dos maiores varejistas da Alemanha, e uma das principais empresas holandesas de tecnologia de reprodução, a HatchTech, em cooperação com a Universidade de Leipzig. Essa empresa recebe recursos do Ministério Federal de Nutrição e Agricultura (BMEL).,,

O método Seleggt é um procedimento não invasivo formado por 2 etapas: a remoção do fluido amniótico e sua colocação no marcador para análise. Um laser é utilizado para fazer um pequeno furo de 0,3 milímetros de diâmetro na casca do ovo incubado. Por esse furo, é extraída uma pequena quantidade de fluido amniótico. A parte interna do ovo incubado não é tocada e continua intacta. Na etapa seguinte, o fluido amniótico é colocado em um marcador patenteado, fora do ovo incubado.

Uma borda colorida surgirá se o ovo contiver sulfato de estrona, um hormônio específico de gênero. Se isso acontecer, o ovo terá um pintinho fêmea em desenvolvimento. Não é necessário selar o ovo após a determinação do sexo. A membrana interna do ovo regenera-se independentemente e sela o pequeno furo a partir de dentro. No 21º dia de incubação, um pintinho fêmea sairá do ovo.

Se não houver sulfato de estrona, o ovo será macho. Ele será então retirado e processado na forma de pó de ovo, que pode ser utilizado em rações para pets.

O método Seleggt tem confiabilidade de cerca de 98 por cento na prática. A revista Guardian informou taxas de exatidão de 98,5 por cento. Quando o método foi apresentado na EuroTier 2018, em Hanover, o Professor Almuth Einspanier relatou uma exatidão de 99 por cento.

Benefícios:

Esse é um procedimento não invasivo, que não requer agulha. O ovo não é tocado por nenhuma ferramenta. Isso significa que a parte interna do ovo é mantida intacta e não danificada. Não há repercussões negativas para o ovo. Exatamente como esse método funciona é um segredo comercial.  

Desde novembro de 2018, 223 pontos de venda da Rewe e Penny em Berlim oferecem os primeiros ovos para consumo provenientes de galinhas que passaram pelo novo processo na forma de ovo. O método Seleggt foi apresentado pela Ministra da Agricultura Julia Klöckner, pelo CEO da Seleggt Dr. Ludger Breloh e o presidente representante do Rewe Group, Jan Kunath. Esses ovos levam o logotipo “sem matança”.

O custo final por ovo deve aumentar em apenas 1-3 centavos., Jan Kunath afirma que uma embalagem de 6 desses ovos deve custar 10 centavos mais do que uma embalagem de ovos sem criação livre, o que seria aceitável para os consumidores. 

O Rewe Group planeja o lançamento nacional no mercado de “ovos respeggt de criação livre” em todos os aproximadamente 5.500 pontos de venda da Rewe e Penny na Alemanha em 2020. Outras fontes dizem 2019. Em paralelo, a Seleggt quer trabalhar em um modelo de negócios que torne a tecnologia disponível para a indústria como serviço de custo neutro. Até 2020, esse processo, protegido por patente, deve atingir o estágio de mercado/produção e ser oferecido para uso de algumas unidades de reprodução. 

Uma tecnologia inovadora de blockchain deverá garantir a rastreabilidade total do processo. Pelo uso de um app, uma unidade de reprodução equipada com o Seleggt poderá introduzir dados relevantes sobre a criação de galinhas jovens e ovos, da fazenda até a embalagem dos ovos, que estarão visíveis a toda a cadeia de fornecimento.

Considerações:

Esse método pode estabelecer o sexo de um embrião a partir do 8º/9º dia de incubação.,, O motivo para isso é que é necessário haver uma concentração mínima de hormônio no fluido amniótico para se atingir um alto nível de exatidão com o marcador atual desenvolvido pela Universidade de Leipzig. Entretanto, a literatura científica afirma que, como já dito, os embriões de galinha têm capacidade de sentir dor a partir do 7º dia de incubação. Essa é a primeira tecnologia pronta para o mercado,, mas ainda não pronta para o uso em massa, tendo até agora só sido utilizada na Alemanha. 

As informações sobre a exatidão na prática variam entre 98 e 99 por cento (veja mais acima).

QUADRO INFORMATIVO: Quando um embrião de galinha começa a ter a sensação de dor


Isso é incrivelmente difícil de ser determinado com precisão. Atualmente, os cientistas concordam que os embriões de galinha não sentem dor até o 7º dia e que a sensibilidade do embrião de galinha inicia no 7º dia de incubação.,, A partir do 15º dia, é certeza que os embriões podem sentir dor. Opiniões científicas divergem sobre a capacidade de sentir dor entre o 7º e o 15º dia. 


A Seleggt quer determinar o sexo no 5º/6º dia de incubação. 

O método Seleggt deve poder inspecionar 3.500 ovos por hora, ou 50.000 unidades em um dia com dois turnos de 6 horas. A Associação Alemã de Avicultura definiu uma capacidade de classificação de cerca de 100.000 ovos por dia como economicamente necessária.

O método ganhou o Prêmio de Inovação por Compaixão na World Farming em 2018. A Seleggt recebeu uma medalha de prata na feira comercial 2018 EuroTier, em Hanover. 

  1. “Orbem Genus” (Terapia de Ressonância Magnética)

O processo base do “orgem genus” foi desenvolvido na Universidade Técnicas de Munique (TUM)., Por trás dessa tecnologia estão o Professor Axel Haase, o Professor Benjamin Schusser, a Dr. Maria Laparidou, o Dr. Pedro Gómez e o M.Sc. Miguel Molina. A Bayerische Patentallianz GmbH (BayPAT) supervisionou o processo de patente e recebeu a tarefa de divulgar a invenção e quaisquer direitos de proteção decorrentes. Fundada em 2017, a Orbem venceu uma competição de startups realizada pelo Ministério de Economia e Energia (BMWi).

Este método combina o imageamento por ressonância magnética (MRI), muito conhecido na área médica, com novos métodos de inteligência artificial (“aprendizado profundo”). O “Orbum genus” utiliza as diferenças nos componentes do sangue de embriões machos e fêmeas, que podem ser reconhecidos pelas imagens.

O sexo pode determinado nos primeiros dias de incubação (até o 7º dia de incubação é claramente o objetivo), antes que os embriões possam sentir dor., Essa análise é realizada de maneira completamente automática. O “Orbem genus” também permite que ovos não fertilizados sejam identificados automaticamente antes da incubação, para que possam ser enviados ao varejo. Isso representa cerca de 15 por cento dos ovos., Seu protótipo deve ser capaz de inspecionar 20 milhões de ovos por ano., Isso representa 150 ovos a cada 2 minutos. Os ovos machos já incubados podem ser transformados em ração para pets.

Benefícios:

Esse é um método não invasivo e sem contato , – a casca do ovo não é danificada.,, O imageamento por ressonância magnética é um processo já testado milhões de vezes na medicina humana, sem nenhum efeito negativo no corpo. A empresa tem como objetivo um aumento de custo de apenas 1 centavo por ovo na fase de desenvolvimento., Em operação, esse valor deve cair a algo próximo de 0,5 centavo. O tempo de medição deve ser de cerca de 1 segundo por ovo. 

Considerações:

Não se sabe quando esse processo estará pronto para uso na prática, pois sua exatidão ainda precisa ser melhorada. Um protótipo deve ser desenvolvido até meados de 2019. O método deve ser testado em uma unidade de reprodução em 2020.,,

  1. Comparação entre Tecnologias
  1. Políticas Atuais das Empresas

Algumas empresas já estão enviando primeiros sinais significativos aos consumidores, que desejam cada vez mais transparência e respeito ao bem-estar animal na produção dos alimentos que consomem. Essas empresas estão mostrando publicamente que esta mudança é possível.

A Unilever foi a primeira empresa de grande porte a declarar sua posição contra o abate de pintinhos machos, em 2014, e seu objetivo de evitar mortes pela determinação do sexo “no ovo”.,,, A empresa afirmou que está profundamente envolvida no desenvolvimento de métodos alternativos e diz apoiar a introdução desta tecnologia no mercado.


(Estamos profundamente envolvidos no desenvolvimento de opções alternativas à prática atual e comprometidos em apoiar o lançamento dessas tecnologias no mercado assim que estiverem à disposição de nossos fornecedores. Assim, louvamos o anúncio feito em junho de 2016 pela United Egg Producers nos EUA sobre seu objetivo de eliminar o abate de pintinhos machos até 2020 pela introdução da determinação do sexo no ovo, que permite a identificação do gênero antes da eclosão.)

https://www.unilever.com/sustainable-living/what-matters-to-you/farm-animal-welfare.html

Em junho de 2016, a United Egg Producers, que representa 95 por cento dos produtores de ovos nos EUA, disse estar pronta para dar fim ao abate de pintinhos machos a partir de 2020.,,,,


(Como representantes de mais de 95 por cento da produção de ovos nos EUA, a United Egg Producers (UEP) e nossos membros fazendeiros temos a obrigação de estudar e adotar práticas que melhorem o bem-estar animal. Nossos membros reconhecem que isso inclui a prática de abate de pintinhos machos nas unidades de reprodução e, como tal, nossa Diretoria, em sua reunião de maio de 2016, assumiu um significativo passo à frente para tratar dessa difícil questão e aprovou a seguinte declaração:

“A United Egg Producers e nossos membros criadores de ovos apoiam a eliminação do abate de pintinhos machos de um dia após a eclosão na indústria de ovos. Sabemos que há diversas iniciativas de pesquisa internacional em andamento nessa área e incentivamos o desenvolvimento de uma alternativa que vise eliminar o abate de pintinhos machos de um dia até 2020 ou assim que estiver comercialmente disponível e for economicamente viável. A indústria de ovos dos EUA tem o compromisso de dar continuidade à nossa orgulhosa história de desenvolver excelentes práticas de bem-estar por toda a cadeia de fornecimento e um avanço significativo nessa área será um desenvolvimento bem-vindo.”)


Sua empresa pode conseguir a dominação e o pioneirismo no mercado adotando políticas similares, além de mostrar que você está levando a sério as altas exigências de seus consumidores. 


  1. Sumário/Conclusão

A sociedade, políticos e empresas reconhecem o problema que é a matança de pintinhos em massa e estão tentando acabar com essa prática, por várias alternativas. Deve-se primeiro dizer que é altamente preocupante que essa prática horrível tenha surgido nas últimas décadas e que até mesmo os tribunais das mais altas instâncias a consideraram justificada – por considerações puramente econômicas. 

Enquanto animais estiverem sido reproduzidos, criados e mortos por alimento, qualquer “melhoria” no sistema será bem-vinda como um progresso. Como não é incomum que a realidade dos animais na indústria de produção animal contraste totalmente com o que está disposto nas regulamentações, pode ser dito claramente que as alternativas descritas acima podem levar a um menor sofrimento dos animais, sendo assim um objetivo a ser perseguido.

Claro que cada abordagem tem seus prós e contras, mas com o mesmo objetivo: finalmente dar fim ao abate de pintinhos machos de um dia – uma prática inaceitável, que se tornou rotina. Deve-se lembrar que não é fácil entender que processos altamente tecnológicos tiveram de ser inventados porque não fomos capazes de parar com uma forma imprópria de reprodução criada por grandes empresas de genética, em nome de um “desempenho” específico.

A determinação do sexo no ovo não está livre de questões éticas. Os consumidores são levados a acreditar que estão consumindo “ovos éticos”. A questão é quão “boa” pode ser uma tecnologia que foi inventada para evitar o surgimento da vida de metade de uma população. Entretanto, qualquer mudança que traga menos sofrimento é bem vinda e um passo na direção certa. Não há dúvida que a determinação do sexo no ovo e a seleção causem menos sofrimento que o abate de pintinhos no dia em que saem do ovo. Uma solução “ideal” (para a determinação do sexo no ovo seria estabelecer o sexo de um ovo intocado no dia da postura, sem o uso de nenhuma modificação genética. Esses ovos poderiam ser vendidos sem exigir quaisquer restrições reguladoras e melhorar ainda mais a atual situação de calamidade: cerca de 6 bilhões (esse número depende da fonte citada, como mostrado no ponto 1 deste relatório) de ovos a mais poderiam ser levados ao mercado para uso como alimento, ração ou vacinas. Isso poderia representar cerca de 29 milhões de galinhas a menos sofrendo na indústria de produção animal a cada ano. A pegada de carbono associada poderia também ser significativamente reduzida. Estimativas da economia anual variam entre 1,5 e 2,5 bilhões de dólares americanos na indústria de ovos.

Os processos altamente tecnológicos da determinação de sexo no ovo solidificam ainda mais os monopólios na criação aviária. Como quase todas as galinhas da criação orgânica ainda são fornecidas pelas mesmas grandes empresas de criação, “unidades de reprodução e criadores de aves orgânicas ficariam ainda mais dependentes da indústria da agricultura”. Críticos são também da opinião que “o abate de pintinhos não terá fim com a seleção no ovo, o pintinho apenas será morto quando ainda estiver no ovo”.

A determinação do sexo no ovo deve ser realizada pelo menos antes do 7º dia de incubação, pois fontes científicas confirmam que o embrião não tem capacidade de sentir dor até esse estágio de seu desenvolvimento. Em outras palavras, qualquer método utilizado após o 7º dia de incubação é inaceitável, pois “de uma perspectiva de bem-estar animal, é preferível fazer a seleção rapidamente, para garantir que o embrião ainda não tenha desenvolvido a capacidade de sentir dor”. Os ovos incubados podem ser utilizados na alimentação de pets.

Devido ao alto nível de tecnologia e problemas relacionados, que ainda permanecem não resolvidos, é muito improvável (ou melhor, impossível) que o prazo de 2020 – quando a determinação de sexo no ovo deveria estar amplamente disponível – possa ser honrado., Por ainda algum tempo, haverá uma real corrida, para determinar quem poderá e será mais rapidamente a melhor e mais eficiente solução pronta para a produção. Afinal de conta, muito dinheiro está em jogo. A Seleggt optou por antecipar a comercialização, mesmo com a tecnologia apenas pronta para o mercado (não para a produção), não sendo possível prever a exportação. Ainda está em discussão se o processo chegará a estar pronto para a produção. O motivo é a incerteza de se o processo é suficientemente rápido. A Associação Alemã de Avicultores definiu uma capacidade de classificação de cerca de 100.000 ovos por dia como economicamente necessário. Até o momento, nenhuma tecnologia pode oferecer esse nível de desempenho.

Alguns defensores da proteção aos animais veem os processos – justificadamente – como soluções falsas, que não atacam os problemas atuais. A “viabilidade econômica dos pintinhos machos”, continuará a existir e apenas mostra o quão doente está o sistema. A determinação do sexo no ovo não resolve os problemas de saúde aos quais estão expostos as galinhas poedeiras. Elas podem não mais ser uma questão de foco público, mas continuarão a sofrer de dolorosas desordens de suas trompas uterinas, devido ao seu “máximo desempenho” programado geneticamente de 300 ovos por ano.

Sumário:

Atualmente não há uma alternativa que possa colocar fim rapidamente a um problema que já perdura há décadas. É claro que “não há fim à vista ao sofrimento, sem que se mude o sistema”, pois “nas atuais condições de criação e produção em massa de um alto desempenho específico, galinhas não especializadas e aves machos não são economicamente competitivos”. Não foi a única vez que a indústria aviária favoreceu explicitamente um determinado método, mas é responsável pela realidade atual. Pelo menos confessou-se estar em geral pronta “para acabar com a prática de abate de pintinhos machos de um dia assim que houver uma alternativa prática disponível”. 

É claro que algo precisa ser feito. Assim, estamos incentivando as empresas que já se comprometeram publicamente a fazê-lo, não apenas usando métodos alternativos viáveis assim que a tecnologia estiver comercialmente disponível, mas também apoiando a pesquisa e desenvolvendo tecnologias existentes que sejam economicamente lucrativas e adequadas à produção em massa. Pedimos que as empresas considerem um cenário mais amplo e optem por alternativas de maior custo, mas mais justas, em nome da melhoria do bem-estar animal. Esse passo mostra a motivação da empresa de priorizar o bem-estar animal. Nenhum sistema estará isento enquanto os animais forem reproduzidos, criados e mortos por alimento. Mas sempre haverá um preço a pagar. Assim, incentivamos as empresas a incluir expressamente alternativas baseadas em plantas em sua linha ou aumentando suas ofertas de produtos.

  1. Apêndice: Relatórios de Interesse na Mídia

autora: 

Dörte Röhl

(Veterinária, Especialista em Bem-Estar Animal da Animal Equality)

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