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Estamos lutando pela proibição do abate de vacas grávidas
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Em maio deste ano a Animal Equality Brasil denunciou uma das práticas mais cruéis da indústria da carne e do leite. Uma investigação secreta revelou que vacas gestantes são enviadas ao abate, mesmo sendo consenso entre veterinários e zootecnistas que esta é uma prática considerada de maus-tratos.
Desde então estamos trabalhando duro para que essa prática seja proibida. A Animal Equality mobilizou outras organizações de proteção animal, fiscais agropecuários e pesquisadores especialistas em bem-estar animal para conseguir estabelecer diálogo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Também em maio, enviamos uma carta aberta ao MAPA explicando tecnicamente porque o abate de vacas prenhes deveria ser proibido. Ainda não obtivemos uma resposta oficial, porém, recentemente o Ministério fez uso de uma Portaria que trata de abate humanitário e bem-estar animal para permitir o abate de fêmeas em fase final de gestação e de seus fetos.
Assista a live que fizemos para entender mais
Recebemos essa notícia com muita indignação e novamente nos unimos para enviar uma nota de repúdio ao Ministério. Também promovemos um debate que foi transmitido pelo nosso canal do YouTube, na nossa página no Facebook e na Twitch, que contou com a participação de especialistas em direito animal e bem-estar animal. Todos os especialistas concordaram que o artigo 7o da Portaria 365 regulamentou uma prática de maus-tratos e que está sendo visto como um grande retrocesso para o bem-estar animal.
Cada especialista compartilhou algumas experiências e conhecimentos relacionados ao abate de vacas gestantes. A fiscal agropecuária Raquel Cannavô contou sobre a rotina nos frigoríficos e como é a sensação de impotência ao ver uma vaca parir no curral de espera do frigorífico minutos antes do momento do abate. Também falou que colegas de trabalho chegam a chorar ao ver o bezerro se debatendo no ventre materno quando a vaca está morrendo. O professor Mateus Paranhos, considerado um dos maiores especialistas em bem-estar de bovinos, complementou dizendo que atualmente não existem ferramentas confiáveis para avaliar a dor fetal no momento da morte da fêmea, portanto, neste caso devemos adotar o princípio da precaução e assumir que o feto pode sofrer ao morrer por asfixia, devido a perda de sangue da mãe, pois é o sangue materno que leva oxigenação para o feto.
Vânia Nunes, veterinária e Diretora Técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, fez uma profunda reflexão sobre valores éticos e morais de uma sociedade que banaliza e regulamenta a crueldade animal por meio de uma portaria. Vania completou dizendo que o artigo 7º tem requintes de crueldade e que nele está descrito uma cena de terror e de sofrimento extremo. Disse se assustar com os profissionais que não são capazes de defender posturas éticas quando estão em instituições que têm a responsabilidade de zelar pelos animais. O Professor Vicente Ataíde, Doutor em Direito Animal e Juiz Federal, iniciou sua fala com um importante questionamento: é possível conciliar a pecuária com a proibição de práticas cruéis? Ele também explicou que a partir do momento que a Constituição Federal assume a senciência animal ao proibir a crueldade, não se pode excluir nenhum animal da regra e por isso qualquer regulamentação da pecuária nacional deveria passar pelo controle da constitucionalidade. Vicente acrescentou que esse artigo 7º, além de infraconstitucional, também é infralegal.
Saímos na mídia
Em entrevista concedida ao Globo Rural, Carla Lettieri, diretora-executiva da Animal Equality Brasil, diz que é inadmissível que o Mapa, que deveria zelar pela proteção dos animais criados para consumo humano, legalize essa crueldade. “É uma prática de maus-tratos que fere o que está disposto na Constituição e na Lei de Crimes Ambientais que garantem a proteção a todos os animais.”
Como tudo começou: nosso trabalho de investigação
Graças aos nossos corajosos investigadores secretos que entraram em frigoríficos e filmaram essas tristes cenas das vacas e seus bebês no ventre, nós conseguimos mostrar para a sociedade os segredos que a indústria tenta esconder. Além disso, temos uma equipe de negociação que não vai desistir de dialogar com o MAPA para que essa prática seja proibida..
Para atingir o nosso objetivo, precisamos que a nossa petição chegue ao maior número de pessoas. Por isso, se você já assinou, não esqueça de compartilhá-la com todos os seus contatos. Na página da nossa campanha você também pode entender mais sobre o assunto, lá nós explicamos os motivos e os problemas do abate de vacas gestantes.
Além de assinar e compartilhar a petição, você sente que quer ajudar ainda mais? Você pode fazer uma doação pontual ou mensal e assim nos ajuda a continuar lutando pela proibição do abate de vacas gestantes.
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