Os benefícios de uma alimentação vegana para o meio ambiente

Para além da compaixão animal, o estilo de vida livre de derivados animais é a maior promessa para salvar o planeta do aquecimento global

Por Thais Schreiner

Você sabe exatamente o que está envolvido na produção de carne? Com a revelação da maldade que está por trás desse tipo de indústria, a compaixão pelos animais é certamente uma das grandes motivações para uma pessoa se tornar vegetariana e vegana, mas não é só a ideia de que animais merecem liberdade, respeito e direito à vida que faz do veganismo um estilo de vida em crescente ascensão.

A criação de animais para abate é hoje a principal responsável pelo aquecimento global. Para se ter uma ideia, a produção de um quilo de carne bovina envolve o consumo de 16 mil litros de água (sim, uma quantidade surreal!) e, no caso do Brasil, o país líder em exportação mundial de carne, a emissão de 335 kg de CO2, o principal gás destruidor da camada de ozônio, gerado tanto pelo desmatamento quanto pela combustão das fezes dos bichos.

No caso da destruição da vegetação, segundo dados divulgados pelo Greenpeace em 2009, a cada 18 segundos, um hectare de floresta Amazônica, em média, é convertido em pasto. Não à toa, o rebanho bovino brasileiro ocupa atualmente uma área maior que 200 milhões de hectares, número que corresponde a mais de 20% do território brasileiro. Somam-se a isso os arrotos e a decomposição dos excrementos de vacas, porcos, ovelhas e outros animais, que têm seu sistema digestivo totalmente alterado por conta da alimentação a base de ração e hormônios, tornando-os verdadeiras máquinas de liberação de metano, o segundo principal gás causador do efeito estufa e responsável pela contaminação de solo e água.

Essa combinação faz com que a criação de gado para abate e consumo humano seja mais agressiva à destruição ambiental do que os automóveis e a indústria de petróleo, por exemplo, de acordo com estudos realizados pelo Instituto de Agricultura e Política Comercial e da organização ambientalista espanhola Grain e divulgados em julho deste ano. Ainda de acordo com as pesquisas, se a indústria de carne não desacelerar seu crescimento, será responsável por 27% do efeito estufa até 2030 e, mais, por 80% do aquecimento global até o ano de 2050.

Na contramão da preocupação dos ambientalistas, as gigantes da indústria carnívora e de laticínios, no Brasil e no mundo, continuam a traçar metas de venda cada vez maiores, visando aumentar o lucro e, para isso, escondendo de seus consumidores os números e efeitos de uma produção tão gananciosa. Fica, então, sob nossa responsabilidade procurar por alternativas alimentares mais saudáveis e benéficas, tanto para nós quanto para o meio ambiente, e, assim, não permitir a expansão desse tipo de negócio às custas da destruição do nosso meio ambiente e ameaça ao futuro de nosso planeta.