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Nosso trabalho de relações corporativas e o impacto na vida das galinhas


Hoje, no dia do ovo, vamos explicar porquê negociamos políticas cage-free

O terceiro setor está cada vez mais envolvido como ator na governança global, e com as ONGs de proteção animal não é diferente. A criação de animais para consumo está cada vez mais em pauta devido aos problemas relacionados a esse setor. Esses problemas são evidenciados principalmente através da conscientização da população sobre a crueldade das práticas industriais, o impacto negativo dos produtos de origem animal sobre a saúde humana e a saúde pública ou a degradação do meio ambiente. Assim, existe um movimento global com campanhas educativas focada em mudanças na dieta ou advocacy para promover e fazer cumprir as leis de proteção animal. 

A Animal Equality faz parte desse movimento e usa a estratégia do “Altruísmo Eficaz” através das áreas de relações corporativas. O objetivo é dialogar diretamente com as empresas e assim obter resultados mais rápidos e fáceis de mensurar, banindo as práticas mais cruéis contra os animais de criação, a fim de reduzir ao máximo o sofrimento animal no curto e médio prazo. Acreditamos que a melhor solução para proteger os animais é tirar-los do nosso sistema de alimentação, mas entendemos que o mundo não irá se tornar vegano no curto prazo e não podemos dar as costas para os animais que estão vivendo, neste momento, nas fazendas industriais.

Nosso departamento de relações corporativas desempenha um papel muito importante, contribuindo para avanços significativos em todo o mundo por meio de negociações e campanhas para garantir compromissos públicos, como cage-free (livre de gaiolas). Assim, as empresas que comercializam ou utilizam ovos em seus produtos atuam junto com sua cadeia de abastecimento para fazer a transição para um sistema livre de gaiolas. Tais políticas têm o poder de mudar os rumos do mercado e posteriormente se desdobrar em políticas públicas e aceitação coletiva, tornando-se uma tendência global. 

Além disso, quando realizamos essas negociações e, quando necessário, realizamos as campanhas para pressionar as empresas a banirem as gaiolas de suas cadeias de abastecimento, acabamos por conscientizar um grande número de pessoas sobre a crueldade dos sistemas de gaiolas. Vários empresários, funcionários das empresas e consumidores só ficam sabendo dessas práticas cruéis através das nossas negociações e campanhas. Muitos deles acabam por repensar seus hábitos de consumo e decidem não consumir mais ovos e outros produtos de origem animal. 

Compromissos cage-free e o progresso no Brasil até agora

O bem-estar animal vem se tornando cada vez mais indispensável no âmbito corporativo. Só no ano de 2020 foram firmados junto à Animal Equality mais de 10 compromissos empresariais para banir as gaiolas da cadeia de suprimentos e aproximadamente 9.631.938 galinhas impactadas. Sabemos que livre de gaiolas não é livre de crueldade animal, mas sim um progresso no curto prazo para aumentar o bem-estar das galinhas que estão no sistema produtivo de ovos do Brasil. Este trabalho tem trazido um passo na conscientização tanto de empresas quanto de consumidores para o bem-estar de galinhas e esperamos que nos próximos anos seja possível dar passos ainda mais longe para criar uma mudança social sustentável a longo prazo. Desde que está no Brasil, a Animal Equality negociou diretamente com 76 empresas que firmaram o compromisso de oferecer apenas ovos livres de gaiolas e aproximadamente 18.478.692 galinhas foram impactadas. E estamos em negociação com outras dezenas de empresas. O trabalho de relações corporativas vem criando impacto em largas escalas para que empresas e consumidores nos ajudem a pressionar governos para leis que garantam os direitos dos animais.

Por que devemos nos preocupar com as galinhas

Um estudo acadêmico1 mostrou uma gama de exemplos documentados cientificamente de comportamentos cognitivos, emocionais, comunicativos e sociais complexos em galinhas. Alguns exemplos são: 

– As galinhas possuem conhecimento de numerosidade e aritmética básica.

– As galinhas podem demonstrar autocontrole e autoavaliação, e essas capacidades podem indicar autoconsciência.

– As galinhas se comunicam de maneiras complexas, inclusive por meio de comunicação referencial, que pode depender de algum nível de autoconsciência e da capacidade de assumir a perspectiva de outro animal. Essa capacidade está presente em outras espécies altamente inteligentes e sociais, incluindo primatas.

– As galinhas têm a capacidade de raciocinar e fazer inferências lógicas. Uma capacidade que os humanos desenvolvem por volta dos sete anos de idade.

Essas descobertas são uma recomendação clara que devemos respeitar as necessidades físicas e psicológicas das galinhas. Pois elas têm capacidade e necessidade de interagir com o ambiente ao seu redor e com outras galinhas, assim, é uma obrigação prover um ambiente que respeite minimamente o bem-estar dessas aves. 

No Brasil mais de 125 milhões2 de galinhas são exploradas pela indústria dos ovos e desse total, 95% passam sua vida inteira em gaiolas onde cada ave tem um espaço referente ao tamanho de uma folha de caderno e esses animais não conseguem nem ao menos abrir as asas. 

Por que as gaiolas são ruins para as galinhas e para a saúde do consumidor

Saúde e bem-estar dos animais

O sistema de gaiolas é um sistema que está muito distante do ambiente que a galinha viveria na natureza, dessa forma, ela não consegue manifestar os comportamentos naturais da espécie, como por exemplo, ciscar, botar ovos em ninhos, subir em poleiros e tomar banho de areia. A impossibilidade de manifestação desses comportamentos e a severa restrição de espaço geram danos físicos e psicológicos aos animais3.

A privação desses comportamentos é muito estressante para as galinhas. O estresse pode atrapalhar o funcionamento do sistema imunológico, podendo levar ao aumento de doenças durante a criação desses animais. De modo geral, melhorar o bem-estar das aves provavelmente irá resultar em uma ave mais saudável4 e o bem-estar prejudicado, como ocorre nas gaiolas, irá facilitar o aparecimentos de enfermidades. 

Saúde do consumidor

Animais doentes produzem produtos que podem colocar em risco a saúde do consumidor. O sistema em gaiolas têm mais chance de ocorrer contaminação do ovo por salmonela do que em sistemas livres de gaiolas5. A salmonela é responsável por um terço  dos surtos de doenças transmitidas por alimentos no Brasil6 e o ovo é o principal causador desses surtos7

Saúde pública

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUD) lançou em 2020 um relatório sobre o COVID-19 e sobre como prevenir futuras pandemias8. O relatório destaca  os sistemas alimentares como potenciais causadores de novas pandemias e enfatiza  que a maioria das zoonoses (doenças transmitidas entre animais e humanos) ocorre indiretamente através dos sistemas alimentares. Cerca de 80% dos patógenos que infectam animais são “multi-hospedeiros”, o que significa que eles se movem entre diferentes hospedeiros animais, incluindo, os seres humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu recentemente que o novo coronavírus não será a última pandemia e lembrou que os avanços sanitários serão insuficientes se não houver mudanças com relação à questão climática e ao bem-estar animal9.

O que o mundo pensa sobre as gaiolas

Vários países já proibiram o uso de gaiolas convencionais para galinhas, a exemplo, todos os países da União Europeia, onde uma eliminação legislativa começou em 1999 e foi concluída em 2012. Canadá, Nova Zelândia e vários estados dos EUA também proibiram as gaiolas convencionais por entenderem que elas causam danos ao bem-estar animal. 

Além disso, globalmente mais de 1000 empresas assumiram o compromisso de banir as gaiolas, mesmo em países que ainda não existe uma legislação para isto. 

Exposto isto, é evidente que sistemas livres de gaiolas são melhores para o bem-estar animal, segurança alimentar e viáveis de serem implementados. O trabalho de relações corporativas é um importante ator nesse processo de transformação em um mundo mais compassivo com os animais. Mas lembre-se, a melhor forma de proteger os animais é deixando-os fora do seu prato! 

Você pode fazer parte dessa mudança

A Animal Equality tem um programa de voluntários remoto, chamado Protetores de Animais, no qual você pode começar a ajudar os animais agora mesmo, sem precisar sair de casa. Assim que você se inscrever, você começará a receber uma série de ações simples como assinar uma petição, compartilhar um post, comentar nas redes sociais, entre outras. Ações que parecem simples, mas que são essenciais para mostrar que somos muitos lutando a favor daqueles que não têm voz. Essa é a melhor forma de apoiar os nossos departamentos de Responsabilidade Social Corporativa e de Advocacy, que se dedicam a influenciar empresas e governo a acabar com as piores práticas que acontecem com os animais na indústria de alimentos.

Referências: 
1- Marino, L. Galinhas pensando: uma revisão da cognição, emoção e comportamento na galinha doméstica. Anim Cogn 20, 127–147, 2017. https://doi.org/10.1007/s10071-016-1064-4
2- Associação Brasileira de Proteína Animal, ABPA, Relatório anual 2020.
https://abpa-br.org/wp-content/uploads/2020/05/abpa_relatorio_anual_2020_portugues_web.pdf
3- Hartcher, K. e Jones, B. The welfare of layer hens in cage and cage-free housing systems. World Poultry Science Journal, 73 (4), 767-782. 2018.
10.1017 / S0043933917000812
4- Campbell D.L.M., Haas E.N., Lee C. A review of environmental enrichment for laying hens during rearing in relation to their behavioral and physiological development, Poultry Science, Volume 98, Issue 1, 2019.
https://doi.org/10.3382/ps/pey319
5- Painel EFSA BIOHAZ. Salmonella control in poultry flocks and its public health impact. EFSA Journal, 2019. 
https://doi.org/10.2903/j.efsa.2019.5596
6- Ministério da Saúde Brasil, Surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos no Brasil, 2018.
https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/julho/02/Apresentacao-Surtos-DTA-Junho-2018.pdf
7- Caetano F. e Pagano M. Prevalência de infecções causadas por Salmonella sp. no Brasil no período de 2013 a 2017. J. Infect. Control, 2019.  Abr-Jun;8(2):56-62 [ISSN 2316-5324]
http://jic-abih.com.br/index.php/jic/article/view/255/pdf
8-United Nations Environment Programme and International Livestock Research Institute (2020). Preventing the Next Pandemic: Zoonotic diseases and how to break the chain of transmission. Nairobi, Kenya.
9- 7- OMS adverte que covid-19 não será 'a última pandemia'. G1 Globo. 2021. Disponível em:
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/12/26/oms-adverte-que-covid-19-nao-sera-a-ultima-pandemia.ghtml  Acesso em: 06 de outubro de 2021. 


  

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