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Os seis segredos da indústria de exploração animal


Além de causar um sofrimento inaceitável aos animais, a indústria da carne, dos ovos, dos lacticínios, e seus derivados, também escondem outros graves problemas.

PRIMEIRO SEGREDO: O ESPAÇO

A palavra de ordem das fazendas industriais é: maximizar. Maximizar a produção, antes de mais nada, a fim de maximizar o lucro.

Se todos os animais criados para consumo humano fossem livres,  não haveria, literalmente, lugar para os seres humanos. As ruas e praças das cidades seriam invadidas por vacas, galinhas e porcos. Por exemplo no Brasil, vivem 213 milhões de pessoas e se abate mais de 6 bilhões de animais por ano.

Desta forma, a indústria resolveu este problema amontoando o maior número possível de animais em galpões ou pior, em gaiolas, o que causa um terrível sofrimento. Para você ter uma ideia, 95% das galinhas no Brasil vivem em gaiolas, onde nem ao menos conseguem abrir as asas ou caminhar poucos passos. 

A verdade é que algumas fazendas industriais, como por exemplo as granjas de porcos, galinhas e frangos, “economizam” espaço, mas fazendas de bois e vacas a pasto desmatam grandes áreas para ter mais área de pastagem.

SEGUNDO SEGREDO: A CADEIA DE ABASTECIMENTO OCULTA

Em países Europeus, como a Itália, estima-se que são consumidos 77 kg de carne per capita por ano – excluindo peixes e mariscos. Grande parte dessa carne consumida na Itália vem de animais abatidos no Brasil. O Brasil exporta carne bovina para mais de 150 países.

Então, aqui está o segundo segredo da indústria de criação de animais na era da globalização: a cadeia de abastecimento é tão longa que um animal pode ser criado e abatido no Brasil, mas sua carne é processada na Itália e pode ser consumida em outro país. E muitas vezes o consumidor não tem a menor ideia de onde veio aquele produto que está consumindo, e o pior, como aquele animal foi criado e abatido. 

TERCEIRO SEGREDO: A ORIGEM DA RAÇÃO

Um único porco precisa ingerir mais de 2 kg de ração por dia. Para maximizar a produção e o lucro, a ração dada aos animais é uma ração rica em proteínas, para acelerar o crescimento do animal. A proteína presente na ração, na maioria das vezes, é proveniente da soja. 

A demanda por soja para alimentar animais em fazendas industriais é altíssima. Assim, a China, países europeus e do oriente médio, importam a soja cultivada no Brasil, que é o maior produtor mundial de soja.

Por que eles importam a soja ao invés de produzirem?  A resposta é simples: eles compram soja de outros países onde há espaço suficiente para a cultivar. O grande problema é que o Brasil só tem espaço suficiente para plantar tanta soja, porque os fazendeiros desmatam grandes áreas de florestas. 

QUARTO SEGREDO: A POLUIÇÃO

Na Amazônia, mais de 12 milhões de hectares foram desmatados em 2020, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, representando 42.000 km² de perda de área verde e de biodiversidade. Estes números assinalam uma tendência alarmante: a taxa de desmatamento no Brasil está aumentando bem acima da média dos últimos 20 anos.

Mas isso, infelizmente, não é tudo. Nos últimos 10 anos, a Amazônia produziu quase 20% mais dióxido de carbono do que conseguiu absorver no mesmo período. Isso está ocorrendo principalmente devido aos desmatamentos e queimadas na floresta.

Os pecuaristas estão queimando nossas florestas para alimentar animais que serão explorados e mortos. Além da perda de biodiversidade, a fumaça das queimadas tem um sério impacto no aquecimento global.  Por causa disso, a Amazônia perdeu sua capacidade de absorver gás carbônico de forma eficiente. Estima-se que se a Amazônia fosse um país, ela estaria em terceiro lugar na lista dos maiores emissores de gases com efeito de estufa do mundo.

QUINTO SEGREDO: O DUPLO SOFRIMENTO

Os animais criados em áreas desmatadas ilegalmente são frequentemente enviados para matadouros clandestinos, onde não são respeitadas normas mínimas de bem-estar animal.

Devido a este sistema que não rastreia os animais durante toda a cadeia produtiva – desde o nascimento do animal até a carne chegar ao ponto de venda – os animais sofrem duas vezes: sofrem durante sua curta vida e no momento do abate, que pode ocorrer sem atordoamento e utilizando técnicas que são, no mínimo, brutais.

O “produto” final que chega às prateleiras dos supermercados está “limpo”, porque não traz vestígios destes sofrimentos em uma cadeia de produção cheia de ilegalidades.

SEXTO SEGREDO: A FOME NO MUNDO

Todos sabemos que a fome no mundo é um dos maiores problemas do nosso século.

O abismo de desigualdade entre países continua a aumentar todos os anos.

No entanto, existe uma solução viável a curto prazo: se as terras agrícolas destinadas ao cultivo da soja pudessem ser utilizadas para produzir diversos tipos de vegetais, poderia-se oferecer alimentos para 2 bilhões de pessoas gravemente subnutridas, assim, reduziríamos drasticamente o problema da fome no mundo.

Em um mundo altamente globalizado, onde já não existem barreiras e onde as trocas econômicas ligam um país a outro, uma parte do mundo é responsável pelo que acontece do outro lado do globo.

Sobre este ponto, publicaremos na segunda-feira, dia 6 de setembro, uma nova campanha que revelará a outra face da indústria da carne, que é pouco conhecida porque é deliberadamente mantida escondida por empresas e pelo próprio governo.

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